terça-feira, 25 de junho de 2019

O Sentido de Um Fim - Resenha.




O livro é narrado por Tony Webster (que toda vez que leio esse sobrenome penso em lagosta - lobster) e dividido em duas partes.

Na primeira o Tony se remete à adolescência e aos amigos criados na época e que duraram até início da fase adulta. Eram quatro amigos que tinham pontos de vista em comum, mas um deles, Adrian, era o que mais se destacava pela suas percepções de vida e sua maneira de entender o mundo.
E ainda, nesta fase, ele cita pedaços da época em que ele estava na faculdade, onde ele conhece Verônica, uma jovem baixinha e intrigante, que se torna sua "primeira namorada a ser apresentada aos amigos" cuja opinião deles seria (para Tony) importante - aceitação.

Na segunda, já na fase adulto/aposentado/divorciado/avô o Tony revive suas memórias quando recebe uma herança inesperada: uma carta da Sra. Ford (mãe de Verônica, sua ex, que se tornou amante/namorada/esposa de Adrian, seu melhor amigo) com dinheiro e o Diário de Adrian. Mas esse diário não chegou às mãos deles. Verônica não permitiu a entrega.

Esse é o cenário.
Mas de fato o que se passa é que o livro trata de memórias. Nossas memórias.
Aquelas que contamos aos outros e as nós mesmos de como foi a nossa vida nos tempos de escola.

Como "me sentia" em relação a um ou a outro companheiro de jornada de vida.

Tony via a si mesmo como um jovem/homem pacato, sem vontade ou disposição de "questionar a vida". Um homem bom. Que mantém uma relação cordial com sua ex-mulher; com sua filha (apesar de não ser muito presente) e de repente é jogado ao passado, ao retorno de sua relação estranha com Verônica e mais ainda, com o fantasma do seu amigo (que cometeu suicídio quando jovem).

O genial do livro é que notamos, na leitura, o quanto enganamos a nós mesmos sobre quem fomos um dia.
Olhamos para o nosso passado e nos vemos um "antigo eu" que não exatamente é como nós fomos.
Refazemos nosso passado do modo como, para nós, é conveniente.

E de repente somos levados a ver que não, não foi bem assim. Não foi desse jeito que aconteceu.
E nesse rompante descobrimos ainda que, o nosso "antigo eu" pode ter ferido fortemente pessoas que eram/são importantes e que essa ferida não cicatrizou independente de quanto tempo tenha se passado.

Nossa memória não é nossa história. As testemunhas dela são prova de que nem tudo é aquilo que pensamos que foi; que nossa percepção de nós mesmos pode mudar.

Um livro intrigante e que deixa um desfecho em aberto.
Afinal, Tony conseguiu entender Verônica? Conseguiu desvendar o que aconteceu? Quem era/é ela? Quem era/é ele?
No fim das contas, qual será o resultado da equação com as variáveis b; a¹; a²; s; v?

OFERTA RELÂMPAGO RUSSA.

Gente, Aproveita essa oferta: Um Pequeno Herói