
O livro é narrado por Tony Webster (que toda vez que leio esse
sobrenome penso em lagosta - lobster) e dividido em duas partes.
Na primeira o Tony se remete à adolescência e aos amigos criados
na época e que duraram até início da fase adulta. Eram quatro amigos que tinham
pontos de vista em comum, mas um deles, Adrian, era o que mais se destacava
pela suas percepções de vida e sua maneira de entender o mundo.
E ainda, nesta fase, ele cita pedaços da época em que ele estava
na faculdade, onde ele conhece Verônica, uma jovem baixinha e intrigante, que
se torna sua "primeira namorada a ser apresentada aos amigos" cuja
opinião deles seria (para Tony) importante - aceitação.
Na segunda, já na fase adulto/aposentado/divorciado/avô o Tony
revive suas memórias quando recebe uma herança inesperada: uma carta da Sra.
Ford (mãe de Verônica, sua ex, que se tornou amante/namorada/esposa de Adrian,
seu melhor amigo) com dinheiro e o Diário de Adrian. Mas esse diário não chegou
às mãos deles. Verônica não permitiu a entrega.
Esse é o cenário.
Mas de fato o que se passa é que o livro trata de memórias.
Nossas memórias.
Aquelas que contamos aos outros e as nós mesmos de como foi a
nossa vida nos tempos de escola.
Como "me sentia" em relação a um ou a outro
companheiro de jornada de vida.
Tony via a si mesmo como um jovem/homem pacato, sem vontade ou
disposição de "questionar a vida". Um homem bom. Que mantém uma
relação cordial com sua ex-mulher; com sua filha (apesar de não ser muito
presente) e de repente é jogado ao passado, ao retorno de sua relação estranha
com Verônica e mais ainda, com o fantasma do seu amigo (que cometeu suicídio
quando jovem).
O genial do livro é que notamos, na leitura, o quanto enganamos
a nós mesmos sobre quem fomos um dia.
Olhamos para o nosso passado e nos vemos um "antigo
eu" que não exatamente é como nós fomos.
Refazemos nosso passado do modo como, para nós, é conveniente.
E de repente somos levados a ver que não, não foi bem assim. Não
foi desse jeito que aconteceu.
E nesse rompante descobrimos ainda que, o nosso "antigo
eu" pode ter ferido fortemente pessoas que eram/são importantes e que essa
ferida não cicatrizou independente de quanto tempo tenha se passado.
Nossa memória não é nossa história. As testemunhas dela são
prova de que nem tudo é aquilo que pensamos que foi; que nossa percepção de nós
mesmos pode mudar.
Um livro intrigante e que deixa um desfecho em aberto.
Afinal, Tony conseguiu entender Verônica? Conseguiu desvendar o
que aconteceu? Quem era/é ela? Quem era/é ele?
No fim das contas, qual será o resultado da equação com as
variáveis b; a¹; a²; s; v?
